Como as próteses de perna são feitas?


Após a amputação, quanto antes a prótese de uma pessoa é colocada, mais rápida tende a ser sua reabilitação. Veja a seguir as etapas que você deve passar para ter sua prótese de perna.

A avaliação inicial

A primeira etapa para se colocar uma prótese é fazer uma avaliação completa com o seu protesista. Ele revisará sua condição física, especialmente a condição de seu membro residual, para saber se já cicatrizou o suficiente para acomodar a pressão da prótese em sua pele.

Esta avaliação também incluirá perguntas para ajudar o seu protesista a entender sobre o seu estilo de vida atual, os seus objetivos e ambições. As suas respostas vão ajudar o seu protesista a decidir quais tipos de componentes incluir na montagem da melhor perna protética para você.

O molde do coto

O seu protesista vai criar um molde no formato do seu membro residual e fazer as medidas para a prótese. Isso pode acontecer durante a avaliação inicial ou durante uma consulta agendada.

Criar este molde personalizado para o seu coto é uma etapa indispensável para projetar um encaixe confortável e bem ajustado. Por isso, é de vital importância capturar o formato com precisão.

O seu protesista pode usar diferentes estratégias para capturar a forma de seu membro residual, como por exemplo gesso, scanners digitais ou sistema de pressão de ar.

O tecido mole do membro residual pode mudar de forma quando alguma pressão é aplicada sobre ele, e esse é um dos aspectos mais desafiadores do trabalho do protesista.

O encaixe provisório

A partir do molde do seu membro residual, o seu protesista criará um encaixe de teste, também conhecido como encaixe provisório. O objetivo desse encaixe é verificar se o molde criado se ajusta bem ao seu membro residual.

Caso o encaixe não esteja confortável, ele poderá ser remodelado para se ajustar melhor ao seu coto. Isso é possível porque o encaixe provisório é feito de um material plástico transparente que é maleável ao calor, ou seja, termomoldável. Este encaixe não se destina ao uso permanente. Ele ficará na sua prótese somente durante essas correções e ajustes.

Assim que você e seu protesista estiverem satisfeitos com o design e conforto de seu encaixe provisório, a prótese de perna será montada com os componentes protéticos escolhidos. Em seguida, a sua prótese será alinhada com você na posição em pé. Este processo é chamado de “alinhamento estático”.

Se o resultado for uma prótese estável e confortável, você logo poderá dar os primeiros passos. Certifique-se de que alguém capture vídeos ou fotos de seus primeiros passos, porque você vai querer isso mais tarde!

Aprendendo a andar

Dar os primeiros passos é uma experiência de aprendizado e uma etapa importante da sua jornada. Não há necessidade de pressa para aprender a usar e confiar em sua prótese.

Muitas pessoas sentem um pouco de dor e desconforto até se acostumarem a andar com uma perna protética. Mas à medida que seu membro se cura, caminhar deve se tornar cada vez mais confortável.

O treino de marcha precoce é essencial. Aprender a andar com uma perna protética requer a adoção de novas técnicas. É muito melhor desenvolver uma boa técnica de caminhada desde o início do que tentar corrigir uma técnica ineficiente mais tarde.

O seu fisioterapeuta, auxiliado pelo seu protesista, irá recomendar exercícios especiais para treinar os músculos específicos necessários para andar com a sua prótese.

Montagem da prótese final

O ajuste e a fabricação da prótese são uma ciência e uma arte. Os dois aspectos mais importantes de uma boa prótese são:

  1. A criação de um encaixe bem ajustado com suspensão ideal;
  2. O alinhamento correto dos componentes protéticos em relação ao membro residual.

Um bom protesista sempre toma um cuidado especial para fazer um encaixe que se ajuste perfeitamente ao seu coto, e garantir que os componentes estejam alinhados corretamente.

Acompanhamento

Seu membro residual continuará passando por um processo de cura e mudança de formato à medida que se estabiliza com o tempo. Os músculos do membro irão atrofiar (encolher) porque não estão funcionando como antes. Além disso, você poderá ter mudanças em seu corpo, como ganhar ou perder peso.

Como o seu membro residual continuará mudando de forma, em algum momento o seu encaixe não vai mais servir perfeitamente. Um encaixe mal ajustado pode machucar ou se deslocar enquanto você caminha, e isso impacta sua segurança, energia e conforto.

No caso de encaixes folgados, por exemplo, é possível resolver temporariamente colocando meias extras sobre o membro residual. Entretanto, um novo encaixe poderá ser necessário, até mesmo para acompanhar mudanças em suas atividades.

O intervalo entre cada novo encaixe é difícil de prever e varia de paciente para paciente. A maioria dos amputados usa um mesmo encaixe por três anos antes de procurar uma substituição.